Nos anos 1990 e início dos 2000, poucas marcas simbolizavam tanto o lazer doméstico quanto a Blockbuster. A rede de locadoras se tornou um verdadeiro império do entretenimento, transformando o simples ato de escolher um filme em um ritual coletivo de fim de semana.
A história começa em 1985, quando David Cook abriu a primeira loja em Dallas, Texas. A ideia era simples e poderosa: reunir milhares de títulos sob o mesmo teto, em um ambiente iluminado, organizado e amigável para famílias. Enquanto locadoras independentes funcionavam de forma improvisada, a Blockbuster apostava em padronização e escala. A marca se expandiu rapidamente, atraindo investidores e comprando concorrentes menores.
O crescimento foi meteórico. Em 1992, a Blockbuster já operava mais de 2.800 lojas. Na virada do milênio, eram quase 9.000 unidades espalhadas pelo mundo, empregando mais de 80 mil pessoas. Estima-se que, em seu auge, a empresa atendia cerca de 65 milhões de clientes por semana. A experiência de caminhar pelos corredores, com capas coloridas de VHS (e depois DVDs), virou parte da cultura pop.
Mas o que parecia inabalável começou a ruir. A empresa se mostrava pouco disposta a adaptar seu modelo de negócios às novas formas de consumo. Quando a Netflix surgiu em 1997 com um serviço de entrega de DVDs pelo correio — e mais tarde com o streaming — a Blockbuster não levou a ameaça a sério. Chegou a recusar a chance de comprar a Netflix em 2000 por 50 milhões de dólares, decisão que hoje soa quase cômica diante da virada da indústria.
A rigidez do modelo de negócios, somada às famosas multas por atraso na devolução de filmes, acabou afastando clientes. Em meados dos anos 2000, a empresa já acumulava dívidas bilionárias. Em 2010, entrou oficialmente em processo de falência.
Das milhares de lojas, restou apenas uma única unidade em Bend, Oregon, que funciona até hoje como espécie de museu vivo da era Blockbuster.
O caso da Blockbuster é um dos exemplos mais clássicos de como gigantes podem desaparecer ao ignorar mudanças culturais e tecnológicas. Mais do que nostalgia das sextas-feiras em família, sua trajetória é um lembrete da rapidez com que a inovação pode virar do avesso indústrias inteiras.
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